Diego Bagagal cria “Geografia do Amor”

7 – 11  setembro  2020
Espaço Alkantara

(É um gesto mágico que dei o nome de Geografia do Amor. Um atlas – catártico, libertador e mágico, como os contos de fadas – que celebra as nossas pessoas que morreram e Ancestrais.)

A investigação – para a residência no Alkantara – parte da herança do Ricardo Wagner Braga, meu tio – que me perseguia, pela casa, vestido de bruxa – como possibilidade de criação de uma cartografia atualizada, festiva e erótica do mundo. A herança é uma caixa com arquivos pessoais colecionados nas décadas de 1970, 1980 e 1990. O recorte geográfico da coleção contempla catorze países estrangeiros (Angola, Chile, Estados Unidos da América, Peru, Panamá, Portugal, Canadá, Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra, Israel, Iraque e Suíça); e dezassete estados brasileiros (Amazonas, Pará, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Ceará, Bahia, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul).
Nesta coleção, entre os objetos, encontram-se: duzentos e cinquenta e quatro cartões-postais de cidades, escritos e com selo, trocados com cerca de cento e sessenta mulheres e homens (80% homens, 90% brasileiros); duzentos e cinquenta cartões-postais de cidades sem selo e assinatura; documentos de identidade; cartas de Amor; cartas de saudade; fotografias pessoais; fotografias de Sereios (seus amantes); folhas de diários; um desenho de uma “Miss Universe”; cartões-postais enviados por mim; cartões de Natal; santinhos de morte; entre outros.

Geografia do Amor – a partir de conceitos de Clarice Lispector, Lygia Clark, Giorgio Agamben, Georges Bataille e Mikhail Bakhtin – propõe ser um gesto utópico de atualização dos arquivos do Ricardo, falecido por decorrências da AIDS, no ano de dois mil e onze. A residência artística no Alkantara abarcará trinta e três por cento de toda a herança, e conterá múltiplas possibilidades materiais e imateriais. Tal gesto será feito com Amor.

O projeto Geografia do Amor foi selecionado para residência no Espaço Alkantara no âmbito do programa Horário de Verão. Estreia em novembro de 2020 no Temps d’Images Lisboa.

Ficha Artística

Criação e interpretação Diego Bagagal
Colaboração artística Martim Dinis (pintura), Luciano Scherer e Maira Flores (video), Chico Neves (produção musical)
Gestão ORG.I.A
Apoio Temps d’Images, Self-Mistake

Notas Biográficas

Diego Bagagal, Belo Horizonte, Brasil. Artista Luso-Brasileiro, que se identifica com o gênero não-binário. Desde novembro de 2017 vive em Lisboa. Inicia seus estudos artísticos na adolescência, pela dança (Ballet, Moderno, Contemporâneo e Jazz), e pelo estudo das obras da artista plástica neo-concreta, também Belo Horizontina, Lygia Clark. Ao longo da sua formação, e inspirado por Clark, foca-se no estudo das matérias do corpo e composição artística como “performance”, “teatro”, “interação/improvisação/composição imediata”, “meditação”, “composição cênica”, “gestalt do objeto” e “gestualidade em arquivos”. Sua criação performática e audiovisual é centrada na presença e no corpo. Possui mestrado em Crítica, Curadoria e Teorias da Arte pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa; pós-graduação em “Creating Theatre and Performance” pela London International School of Performing Arts; formação em atuação pelo Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e graduação em Comunicação Social pelo Unicentro Newton Paiva. Co-fundou o premiado coletivo interdisciplinar MADAME TEATRO (Brasil) onde se debruça nas questões queer a partir de sua relação macro-política (histórica, documental e arquetípica) e micro-política (biográfica e emocional). As suas criações questionam e iluminam a relação entre vida e arquivo/ memória e Amor/ festa e espírito/ queer culture e a(fé)to.