Portas Abertas: A Menor Língua do Mundo de Alex Cassal e Paula Diogo

21 de setembro, 17h
Espaço Alkantara
Entrada Livre

Alex Cassal e Paula Diogo ocupam durante três semanas o Estúdio do Espaço Alkantara para uma última residência do projeto A Menor Língua do Mundo antes da sua estreia no Festival Materiais Diversos.

Em 2100 o mundo poderá ter perdido metade das suas línguas: dos 7.000 idiomas falados actualmente, espera-se que 50% não sobrevivam até ao final do século. Ao caminharem para a extinção, levam consigo histórias, conhecimentos, identidades, diferenças. Em Portugal estão ameaçadas o minderico, o ladino, o barranquenho e o mirandês, entre outras. Línguas circunscritas a pequenas regiões e localidades, faladas por uma quantidade cada vez menor de pessoas. Línguas que, ainda assim, representam também a cultura portuguesa. A Menor Língua do Mundo é um projecto que se propõe como um espaço de conversação, estabelecendo encontros criativos entre um grupo multidisciplinar de artistas e grupos falantes de minderico, mirandês e barranquenho (como exemplo). O objectivo aqui não é o registo de algo que foi, mas a exploração de possíveis vir-a-ser; menos um museu e mais uma feira. Queremos investigar o que estas línguas podem e querem dizer hoje. E pensar até que ponto a extinção é ou não inevitável. Imaginámos uma trupe que viajasse por uma terra extinta (aproveitando o potencial mobilizador e irónico das fantasias apocalípticas) a apresentar teimosamente um espectáculo de variedades com aquilo que recolheram na sua jornada: piadas e canções, coreografias burlescas e poemas épicos, referências eruditas e animais amestrados. Uma caravana de maravilhas a viajar pelo fim do mundo.

Ficha Técnica

Texto e encenação Alex Cassal e Paula Diogo
Elenco Bibi Dória, Sílvia Felipe e Zia Soares
Desenho de Luz Wilma Moutinho
Cenografia Fernando Ribeiro
Assistência de cenografia Elsa Mencagli
Direcção Musical João Lopes Pereira
Músico convidado a definir em cada cidade
Registo audiovisual Leonor Castro Guerra
Produção executiva Vanda Cerejo
Co-produção Materiais Diversos, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Municipal do Porto
Apoio à pesquisa CIDLES Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social
Apoio à criação Alkantara

 

Notas Biográficas

Alex Cassal, Encenador, dramaturgo e actor, licenciado em História. Vive entre o Rio de Janeiro e Lisboa. No Brasil, dirige o grupo Foguetes Maravilha, responsável por espectáculos apresentados em vários teatros e festivais em todo o território brasileiro. Vem colaborando com artistas das artes cénicas como Enrique Diaz, Dani Lima, Michelle Moura, Ricardo Chacal e Gustavo Ciríaco. O seu vídeo Jornada ao umbigo do mundo, vencedor do Prémio Rumos Dança 2007, já foi exibido em países como Argentina, México, Cuba, EUA, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Grécia, China e Japão. Com Tiago Rodrigues participou dos projetos Estúdios, Hotel Lutécia e Mundo Maravilha. E, 2012, apresentou o repertório dos Foguetes Maravilha no Teatro Maria Matos, espaço alkantara e no Festival Materiais Diversos; escreveu o texto Septeto Fatal para o Festival PANOS, da Culturgest. Em 2015, encenou o espectáculo Tornados com alunos finalistas da Escola Superior de Teatro e Cinema – ESTC. Em 2016, encenou As Cidades Invisíveis – um certo número de objectos desloca-se num certo espaço no Teatro Maria Matos.

 

Paula Diogo tem bacharelato pela ESTC. Frequentou o curso de Línguas e Literaturas Modernas – variante Português e Espanhol da FLUCL. Foi co-fundadora do Teatro Praga (1995-08), da TRUTA (2003-10) e da produtora O Pato Profissional Lda (2003-10), onde trabalhou como criadora e coordenadora de produção, cruzando várias competências. Em 2004 foi distinguida pelo CPAI com o Prémio Teatro na Década – Melhor actriz pelo espectáculo Private Lives, do Teatro Praga. Em 2006 foi bolseira do CNC acompanhando os Gob Squad (UK/DE) em Berlim. Em 2007 frequentou o Curso de Encenação do Programa CCA da Fundação Calouste Gulbenkian com os ingleses Third Angel. Em 2009 começou a desenvolver a Má-Criação, uma label associada à produtora O Pato Profissional dedicada a projectos colaborativos de performance e teatro. Em 2010 foi encenadora residente no NTN em Nápoles, Itália, dirigido por Antonio Latella. Aqui criou os espectáculos Rosa Lux e Madame. Colabora actualmente com diversos criadores e companhias em Portugal, França e Itália.