Se queres saber pergunta + Segunda-Feira de Cláudia Dias no CEA do Vale da Amoreira

8 de março, 21h
Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira
Duração c. 15 + 55 min.
Se queres saber pergunta

Se queres saber pergunta é o resultado de um workshop de criação e representação em palco que decorreu durante quatro dias no Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira. Um grupo de adolescentes foi convidado a desenvolver uma peça a partir de Segunda-feira: Atenção à Direita. No workshop, orientado por Cláudia Dias e Jaime Neves, Mestre de Muay Thai, que é também performer na peça Segunda-Feira, os participantes trabalharam em duas oficinas: uma de movimento, com base no Muay Thai e outra de texto, em que formularam um conjunto de perguntas. A partir destes materiais os jovens montam a sua própria versão de Segunda-Feira: Atenção à Direita. O resultado será apresentado na primeira parte do espetáculo que o inspira, utilizando o  mesmo espaço equipamento técnico da peça original, permitindo estabelecer pontes entre as duas versões, que serão debatidas numa conversa com o público.

Segunda-Feira: Atenção à Direita

ARENAS PESSOAIS
O primeiro espectáculo do ciclo de Sete Anos Sete Anos de Cláudia Dias propõe-se reconstituir um combate de boxe. Punhos cerrados, full contact, uma coisa parece certa: Cláudia e Jaime vão dar e levar na boca literal e metaforicamente. Pertencentes a uma comunidade que tem sido levada ao tapete vezes sem conta, quando se esmurrarem com argumentos, entre os prometidos sangue, suor e lágrimas, far-se-á luz, como nas fábulas esclarecidas.

Ao sentimento de opressão, de que se libertam combatendo, opor-se-á o sentimento de solidariedade, entre pares, que se reforça no combate, quando eles se reconhecerem como iguais. Punhos cerrados. Destas forças contrárias, sai atrito bastante para passar das palavras aos actos.

OK, PÕE-ME KO.
Quando levamos um soco, pelo menos acontece qualquer coisa. Com alguma sorte, se dermos por ela, temos noção que está a acontecer. É um primeiro passo, quando nos esmurram a cara, saber algo. Mas bom mesmo é saber quem, como, para quê, o que foi. Num mundo de agressão mais ou menos dissimulada, em casa e no trabalho, e mais ou menos simulada, no ócio e no lazer, é de esperar que mais cedo ou mais tarde alguém nos dê esse soco. Nem que seja metafórico. O que surpreende é que tanta gente apanhe sem saber porquê. Antes de deixar, por inadvertência, que alguém nos esmurre a cara, é bom ter presente as consequências do acto. Não saber quais são a motivação e a finalidade desse mesmo acto é, por mais que o murro nos acerte em cheio, passar ao lado dos acontecimentos. Sem entendimento, o facto é-nos alheio. Eis como um conflito pode chegar a não ser, mesmo depois de ter acontecido.

Ficha Técnica

Conceito e direcção artística: Cláudia Dias
Artista convidado: Pablo Fidalgo Lareo
Texto: Cláudia Dias e Pablo Fidalgo Lareo
Intérpretes: Cláudia Dias, Jaime Neves, Karas
Acompanhamento Crítico Sete Anos Sete Peças: Jorge Louraço Figueira
Cenografia e desenho de luz: Thomas Walgrave
Direção Técnica: Nuno Borda De Água
Treinador de Boxe Tailandês: Jaime Neves
Difusão Somenthing great
Produção: Alkantara
Coprodução: Alkantara Festival e Noorderzon Performing Arts Festival Groningen no âmbito do NXTSTP / Programa Cultura da União Europeia; Goethe Institut e Maria Matos Teatro Municipal no quadro doprojeto Europoly; Teatro Municipal do Porto
Residências artísticas: Espaço Alkantara; Göteborg Dance and Theatre Festival e Vitlycke Centre for Performing Arts, com o apoio de KID Gothenburg; Teatro Extremo e Teatro – Estúdio António Assunção; Companhia de Dança de Almada; O Espaço do Tempo; Teatro Municipal do Porto

O projeto Sete Anos Sete Peças é apoiado pela Câmara Municipal de Almada