Quarta-Feira: O tempo das cerejas

Quarta-Feira é o terceiro episódio do ciclo Sete Anos Sete Peças. Depois de enfrentar Pablo Fidalgo Lareo em Segunda-Feira: Atenção à Direita! (estreado no Alkantara Festival em 2016) e de Luca Bellezze em Terça-Feira: Tudo o que é sólido dissolve-se no ar (2017), Cláudia Dias partilha agora o palco com Igor Gandra, diretor artístico do Teatro de Ferro. 

O cenário é um enorme buraco no meio de placas de gesso laminado, como se uma bola de ferro gigante tivesse caído ali. Ao construir o espaço cénico com o mesmo material usado em milhares de casas portuguesas, para se começar a desconstruir, Cláudia Dias e Igor Gandra fazem uma ligação direta a tudo o que é varrido para baixo do tapete ocidental. Apesar de os bombardeamentos aéreos por parte de forças militares europeias serem hoje em dia facilmente visionáveis na internet ou na TV, a ligação entre os nossos lares e as crateras abertas por mísseis noutro lado do mundo, não é tão visível assim. Este buraco negro alude a essa relação causal por esclarecer. Não se trata apenas de mostrar a responsabilidade das sociais-democracias europeias nos massacres que estão a ocorrer agora no resto do mundo. O olho negro no meio do chão é uma imagem de sinal negativo que nos revela o que está por fazer.

Jorge Louraço Figueira

©Bruno Simão

Ficha Técnica

Direção artística Cláudia Dias
Artista Convidado Igor Gandra
Intérpretes Cláudia Dias e Igor Gandra

Assistente Técnico e Artístico Karas
Cenário e Marionetas Igor Gandra e Cláudia Dias
Realização plástica Eduardo Mendes
Oficina de Construção Igor Gandra, Cláudia Dias, Karas, Eduardo Mendes, Daniela Gomes e Nádia Soares
Desenho de Luz e Direção Técnica Nuno Borda de Água
Acompanhamento Crítico Jorge Louraço Figueira
Difusão Something Great

Produção Alkantara
Coprodução Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Centro Cultural Vila Flor
Residências Artísticas  Teatro Municipal do Porto, Teatro de Ferro, Companhia de Dança de Almada, Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira.

Calendário

2018

7-9 jun | Alkantara Festival/Maria Matos Teatro Municipal, Lisboa
14 out |  Teatro do Campo Alegre FIMP, Porto
21 nov  | Teatro Viriato, Viseu
24 nov | Teatro Joaquim Benite, Almada

2019

16 mar | Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
24 out | Cine-Teatro Avenida, Castelo Branco

Notas Biográficas

Cláudia Dias nasceu em Lisboa, em 1972. É coreógrafa, performer e professora.
Concluiu o Mestrado em Artes Cénicas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa e formou-se em dança na Academia Almadense. Continuou os seus estudos como bolseira na Companhia de Dança de Lisboa e concluiu o Curso de Formação de Intérpretes de Dança Contemporânea, promovido pelo Fórum Dança.
Iniciou o seu trabalho como intérprete no Grupo de Dança de Almada. Integrou o coletivo Ninho de Víboras. Colaborou com a Re.Al tendo sido uma intérprete central na estratégia de criação de João Fiadeiro e no desenvolvimento, sistematização e transmissão da Técnica de Composição em Tempo Real.
Criou as peças One Woman Show, Visita Guiada, Das coisas nascem coisas, Vontade De Ter Vontade e Nem tudo o que dizemos tem de ser feito nem tudo o que fazemos tem de ser dito.
Atualmente desenvolve o projecto Sete Anos Sete Peças, um projecto de longa duração que pretende contrariar a ideia de um futuro precário ou ausente.

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Igor Gandra tem formação em teatro, dança, teatro de marionetas e objectos, filosofia e artes marciais. Destaca como experiências formativas marcantes: estágio Paysages Interiores no Institut International de la Marionette com Phillipe Genty em 1995 e O Espaço do Encontro pelo arquitecto Jean Phillipe Vassal no FIMP 2005. Integrou de 1993 a 1999 a equipa permanente do Teatro de Marionetas do Porto sob a direcção de João Paulo Seara Cardoso. Em 1999 fundou o Teatro de Ferro, do qual é co-director artístico e encenador residente. Dirigiu e co-dirigiu com Carla Veloso mais de 30 criações. Textos publicados: Lura – Centro Cultural Vila Flor, Boa União -Teatro Viriato, Actas da Conferência Nacional de Educação Artística 2007, O Tripeiro, Comédias do Minho, 10 Anos, Le monde Diplomatique, Móin-Móin – Revista Brasileira de Estudos Sobre Teatro de Formas Animadas e no jornal francês L’Humanité. É docente e formador em diversas instituições: Universidade de Évora, Instituto Superior de Ciências Educativas, Balleteatro Escola Profissional, Escola Superior de Educação de Lisboa, entre outras. Desde 2009 director artístico do Festival Internacional de Marionetas do Porto. Integra desde 2013 a Comissão Artística das Comédias do Minho. Premiado pelo Clube Português de Artes e Ideias no concurso O Teatro na Década em 1997. Prémio Revelação Ribeiro da Fonte – Teatro 2004 pelo Ministério da Cultura/Instituto das Artes. Medalha de Mérito Cultural e Científico do Concelho de Vila Nova de Gaia – 2005. Troféu Aquilino Ribeiro – Revelação 2005 atribuído pelo Jornal do Centro, Viseu.