Teatro Griot – Luminoso Afogado de Zia Soares

19  fevereiro – 1 março 2020
qua a sáb, 21h30 | dom, 19h
Espaço Alkantara
M/16
10€ normal (Bilheteiras abrem 1h e 30 antes do espetáculo)
Reservas para reservasgriot@gmail.com ou 933 067 810

Luminoso Afogado de Al Berto é a primeira abordagem do Teatro Griot a um autor português. A encenadora e atriz Zia Soares revisita Al Berto, com quem trabalhava na altura da sua morte na adaptação e encenação de um texto do autor, Lunário – espetáculo que viria a chamar-se O Canto do Noitibó. Zia Soares trabalhava na sua primeira encenação e Al Berto no seu último projeto artístico.

Dois anos após a estreia em Lisboa, no Teatro da Trindade, o espetáculo apresentou-se em território africano, integrado na programação do Festival Mindelact 2018, em Cabo-Verde. Esta deslocação implicou uma reconfiguração face a este território, revelando-se essencial um novo olhar que abarcasse uma outra língua, uma outra fala, o crioulo, ela própria uma reconfiguração de outras. É esta nova versão que agora se estreia no Espaço Alkantara.

Luminoso Afogado é uma espécie de linha da sombra, onde num confronto com o espelho, com a morte e com a passagem do tempo, alguém não se reconhece, está entre ser o que é e outro irrecuperável e ausente. Espectros rompem a barreira entre vivos e mortos, refazem nexos com línguas reconfiguradas a partir de outras, cantadas, carpidas, silenciosas. Um lugar onde o “silêncio é definitivo”, onde se oscila entre a memória e o esquecimento mais absoluto. Um mergulho onde se suspende a respiração noutro tempo, noutro lugar.

“E no meio deste silêncio uma ideia de voz, uma treva agarrada à memória. Foi então que dei por mim a existir para lá da tua morte, como se asfixiasse. Mas o passado não é senão um sonho. Uma brincadeira com clepsidras avariadas e algum sangue.”

Al Berto

 

Ficha Artística

Texto Al Berto
Adaptação e encenação Zia Soares
Interpretação Chullage, Gio Lourenço, Zia Soares
Elocução Chullage, Filipe Raposo
Composição musical Chullage
Design de luz Eduardo Abdala
Espaço cénico Zia Soares
Movimento Maurrice
Figurinos Inês Morgado, Neusa Trovoada
Design de som soundslikenuno
Fotografia Abdel Queta Tavares, Grace Ribeiro, Pauliana Valente Pimentel
Design gráfico Neusa Trovoada
Produção executiva Urshi Cardoso
Produção Teatro GRIOT
Agradecimentos: Al Berto, Cristina Pidwell Tavares e família, Rogério Correia, Chalo Correia
Apoios CML, Alkantara, Polo Cultural Gaivotas Boavista, PENHA SCO-Arte Cooperativa, CEC-FLUL, FCT, Khapaz, Graça 28, Rádio Afrolis, Lisboa Africana, Casa Mocambo, Cantinho do Aziz

Teatro Griot

O Teatro GRIOT é uma companhia de actores que se dedica à exploração de temáticas relevantes para a construção e problematização da Europa contemporânea e o seu reflexo no seu discurso e na estética teatral.

O trabalho que a companhia desenvolve surge da tensão entre corpo e território, entre memória colectiva e memória individual, entre imaginário colectivo e imaginário individual. O Teatro GRIOT opera neste espaço de intersecção de territórios geográficos e simbólicos como ponto nevrálgico de um movimento artístico de contra-memória.