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ALKANARA - Alkantara Festival 2020 - ©

Alkantara Festival 2020

Programa

  • 13.11 — 30.11 2020

Tens perguntas? Vamos ter respostas.

Diz-se frequentemente que o papel da arte é fazer perguntas, que é nessas perguntas que encontramos o seu potencial transformador. Provavelmente já o dissemos também. Mas quanto mais nos aproximávamos do fecho deste programa mais nos apercebíamos que o potencial da arte não está nas perguntas que faz mas nas respostas que encontra.

Diz-se também que a arte é um veículo de visões singulares. Uma versão anterior deste texto dizia qualquer coisa parecida. Mas quanto mais pensamos no que queremos fazer com artistas e públicos, mais procuramos saber como é que essa ideia de visões singulares pode contribuir para a constituição de comunidades robustas, capazes de promover ideias e estéticas, e participar em movimentos sociais, políticos e culturais.

Sabemos que estas concepções de arte, que traz respostas e que permite promover mudanças, se tornarão mais concretas entre 13 e 29 de novembro. Não sabemos que respostas este programa nos vai trazer. Esse é o risco de escrever antes de ter acontecido, de o termos visto, partilhado e pensado em conjunto. Mas a partir das nossas preocupações e interesses, das sinopses e notas de intenções, das conversas e encontros que fomos tendo com artistas, os seus espetáculos e performances, arriscamos identificar algumas possíveis respostas.

Quando os livros de História contam só uma parte da história, Faustin Linyekula, Dina Mimi e Radouan Mriziga encontram pessoas, arquivos, sonhos e mitologias esquecidas para preencher esses vazios.

Quando os corpos na dança são apenas movimento, Eszter Salamon (em colaboração com Vânia Doutel Vaz) e João dos Santos Martins dão espaço para que possam falar

Quando a língua ou a cultura nos reprimem, Dana Michel, Sorour Darabi e Nadia Beugré encontram formas de nos mostrar o que está em falta, através da presença e movimento dos corpos.

Quando face ao desconhecido, Cláudia Dias não tem medo de especular sobre o futuro; Flora Détraz encontra uma voz no interior do corpo para comunicar com o oculto; Sónia Baptista enfrenta-o com raiva e otimismo; Cão Solteiro & André Godinho revelam-no à medida que avançam.

Finalmente, e ao longo de todo o festival, face às violências exercidas sobre ecossistemas, a rede Terra Batida propõe práticas de resistência e de cuidado, com performances, pesquisas e conversas por artistas (Rita Natálio, Marta Lança, Joana Levi, Sílvia das Fadas, Ana Rita Teodoro, Maria Lúcia Cruz Correia e Vera Mantero), ativistas, juristas e pessoas que se dedicam à investigação académica.

Começámos este texto por partilhar uma visão de comunidades artísticas robustas, no contexto de movimentos sociais, políticos e culturais. Mas não precisamos de nos afastar muito de nós, da nossa equipa e deste programa, para compreender as limitações do que propomos. Não podemos querer encontrar nos palcos propostas sobre futuros negros, futuros trans, futuros acessíveis, futuros para a manutenção do ambiente ou futuros das mulheres, sem que essas visões sejam incorporadas na nossa instituição e na nossa própria comunidade, onde mais facilmente podemos promover a diferença. Estas são questões sobre as quais estamos a trabalhar para encontrar respostas que nos permitam criar futuros mais justos, mais representativos da diversidade de corpos e subjetividades. Reconhecemos a responsabilidade que nos cabe de transformar estas intenções em ações.

As respostas que temos ainda são pouco evidentes. Ainda assim, estes são os pontos de partida que propomos para olhar para o programa que finalmente tornamos público. Convidamos todas as pessoas a encontrar perguntas ao longo do programa, a relacioná-las com discursos mais amplos e a responsabilizar-nos, festival e artistas, pelas respostas que conseguirmos dar em novembro. Só assim constituiremos comunidades robustas. Só assim conseguiremos promover ideias. Só assim conseguiremos construir outros futuros.

Carla Nobre Sousa e David Cabecinha, 13 de outubro 2020

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