Bruno Brandolino em residência no Espaço Alkantara
Se o profundo estivesse na superfície

- 24.08 — 28.08 2026
Se o profundo estivesse na superfície é uma ficção coreográfica especulativa que acompanha o encontro de uma comunidade humana com uma forma de vida desconhecida. A sua presença reconfigura gradualmente a organização social e a perceção mútua do grupo, afetando-o a um nível psicofísico através da distorção dos sentidos, da fisiologia e da linguagem.
Com o passar do tempo, o grupo enfrenta uma série de dilemas: O que está em jogo quando a humanidade encontra uma forma de vida inteligente que a governa? Devem adaptar-se ou resistir? O que acontece quando as posições divergem e aqueles que antes eram semelhantes se tornam estranhos? E, se a transformação for irreversível, o que restará da sua humanidade?
Combinando teatralidade, coreografia e música experimental, a peça traça a jornada desta comunidade na intersecção entre a literatura especulativa e as preocupações globais contemporâneas. Examina criticamente como a reatividade humana se manifesta em tempos de crise, revelando a fragilidade das nossas ideias de comunidade e identidade.
Do mesmo modo, a obra procura explorar o potencial adaptativo da natureza humana, propondo modos de reorganização social: questionando hierarquias especistas, fabulando formas de reprodução e sexualidade interespecíficas, expandindo a ideia de família através de múltiplos laços de parentesco e imaginando formas de comunicação para além da linguagem verbal. Alegoricamente, pretende refletir sobre questões centrais que afetam a coexistência sociopolítica atual, como o ascenso de discursos identitários puristas, campanhas de ódio e violência dirigida a minorias étnicas, sexuais ou migrantes, bem como a dificuldade de imaginar futuros que não impliquem a destruição do ambiente e da própria espécie humana.
Se o profundo estivesse na superfície convida o público a acompanhar e a espelhar estas mudanças profundas na percepção, na fisiologia e na linguagem, imergindo num novo território onde os paradigmas familiares colapsam. Numa ficção que perturba o significado de ser humano, a peça abre perspectivas radicais para repensar os nossos futuros através de uma distopia crítica.
Datas de apresentação
2026
9 de outubro — Abertura de processo - Graner (Barcelona, ES)
13 e 14 de novembro — Estreia no ET Festival do Espaço do Tempo (Montemor-o-novo, PT)
2027
Abril — Apresentações no DDD - Festival Dias da Dança (Porto, PT)
Ficha Artística
Coreografia Bruno Brandolino Performance e cocriação Bibi Dória, Connor Scott, Eslam Elnebishy, Sepideh Khodarahmi Desenho de luz e espaço Santiago Rodriguez Tricot Desenho de som Mariana Carvalho Figurinos Nina Botkay Dramaturgia Romain Beltrão Teule Produção executiva Joana Costa Santos Produção NADA – Associação Cultural (PT) Residência em coprodução Graner (ES), Campus – Paulo Cunha e Silva (PT), Piscina (PT), Alkantara (PT), Estúdios Victor Cordon (PT) Coprodução O Espaço do Tempo (PT), Festival Dias da Dança (PT) Apoio União Europeia, implementado pelo Goethe-Institut
Este projeto é apoiado pela rede Common Stories EU

Coreógrafo e performer uruguaio radicado em Lisboa, Portugal. A sua prática artística centra-se no estudo da relação entre a coreografia, a ficção e a dramaturgia, recorrendo a arquivos iconográficos e audiovisuais através da experimentação vocal, sonora e física, transformando-os em material para a escrita coreográfica. A linguagem performativa do seu trabalho reúne formatos e expressões que combinam teatralidade, dança e música. As suas obras Melodrama: senza te (2024), LA BURLA (2022) e El Universo no se asemeja a nada (2019) foram apresentadas no...